E aquelas outras garotas das histórias?


As histórias, em geral, são somente sobre as garotas que encontram um amor. É claro que existem aquelas que são nerds, rejeitadas e nada populares... mas no final, o garoto que elas amam acabam percebendo sua beleza e seu amor. PORÉM, a realidade é diferente. No nosso mundo real não existem só essas garotas!
E aquelas garotas que terminam sozinhas? E aquelas garotas que, no fim, nenhum amor enxerga?
E aquelas garotas que passam seu tempo com elas mesmas e são muito felizes assim? E aquelas que não são felizes assim? E as garotas que suspiram lendo romances que nunca viverão? E as garotas que não viverão tais romances, porque não querem? E aquelas que não tiveram oportunidade ainda?
E aquelas garotas que passam o tempo em livrarias, festas, parques, ruas, laboratórios, campos de futebol, academias, escritórios... com elas mesmas? E aquelas garotas que são "somente" a grande amiga?'
Falo sobre essas garotas invisíveis que apenas são figurantes nas histórias, pois estas são protagonizadas por garotas que conseguem seu final feliz, ao lado de quem amam. O que é esse final feliz? Ele existe mesmo? Ele tem que ser um final ao lado de alguma pessoa?
E aquelas garotas maravilhosas, independentes, de personalidade peculiar que não se importam com as mesmas bobagens de sempre? E aquelas garotas que não são vistas por não se encaixarem em um estereótipo qualquer? E aquelas garotas que preferem não ter ninguém? E as outras que sempre amaram pessoas que jamais corresponderam seu amor? 
Por que todas as histórias tem que ser sobre  as garotas-padrão que são agraciadas com um amor correspondido no final da história?
Eu quero escrever  e ler sobre essas outras garotas, as apagadas das histórias!
Eu quero saber daquela garota que passou a maior parte da adolescência descobrindo o mundo e a si mesma. Quero saber daquela garota que gostava de ouvir CDs alternativos sozinha nas lojas Americanas. Quero saber daquela garota que ficava lendo milhares de livros no computador velho que tinha em casa. Ou daquela outra que pegava livros na biblioteca da escola.
Quero saber daquela garota que salvou os dias de seus amigos! Daquela que gostava de cozinhar doces para pessoas queridas! Quero saber daquela garota que se enturmava com os meninos, mas era amiga deles e nada mais, porque ela não queria. Quero saber daquela garota que sonhava em ser astronauta. Quero saber daquela garota que amava jogar Playstation na sala de casa. Quero saber daquela outra que assistia mil vezes Star Wars e imitava o Chewbacca. Quero saber da garota que se matriculou nas aulas de Taekwondo e amou. Ou daquela garota que tentou se relacionar tantas vezes, mas nunca conseguiu. Quero saber daquela que teve o coração partido mil vezes e ELA MESMA se reconstruiu. Quero saber da garota que acorda todos os dias para ir trabalhar e dá gargalhadas assistindo a série que tanto ama, quando chega em casa. Quero saber daquela que está cansada de tentar se envolver com alguém, porque já tentou demais. Quero saber daquela que não está nem aí para relacionamento. Quero saber da outra que quer muito casar, mas morre de medo de encontrar o amor.
Quero saber da garota que se reinventa todos os dias. Quero saber daquela que não tem certeza sobre nada, só quer viver e poder ser o que é, mesmo que não tenha certeza de quem é (alguém tem certeza?). Quero saber da feminista que sente o coração cheio de alegria quando vê e sente a sororidade. Quero saber daquela que luta em prol das mulheres! Ou daquela que não sabe de seu poder. Quero saber daquelas que estão tentando amar seus corpos, mesmo que a sociedade as façam odiá-lo. Quero saber daquela garota que não se vê representada nos filmes da Disney. Quero saber da garota que dança loucamente ao som de sua música preferida, sozinha em seu quarto, sentindo-se a rainha de seu próprio mundo.
Quero saber da história das garotas rejeitadas, das garotas invisíveis, das figurantes... porque elas são reais. Elas se descobriram protagonistas, mesmo que ninguém achasse isso. Quero saber da história dessas garotas, porque eu fui e SOU uma delas.