Mecânica

Mecânica



Eu caminho por entre aquelas ruas que conheço tão bem
Mas, em minha cabeça, meus pensamentos se perdem por lugares
que eu nem conheço
Meu caminhar mecânico me leva até o local de sempre
Eu sento no banco para esperar o ônibus
Percebo o mundo à minha volta
Os carros passando, o vento soprando
Mas nada importa
Estou absorta em meus pensamentos
Quando foi que tudo começou a ser tão mecânico?
Espero o ônibus
Ele não chega.
Passa o ônibus de todo mundo, menos o meu
Eu vou ficando no ponto
Mas, puxa, eu viera até mais cedo para não perdê-lo
Não adiantou
Só me resta esperar
Torcer para ele aparecer
Como é que tudo ficou tão mecânico?
Eles me disseram que eu precisava fazer certas coisas para viver bem
Mas essas coisas vão mesmo de encontro com o que eu quero?
Acho que não
Eu sou outra
Não posso me proteger do que virá
Eu preciso vivenciar tudo
Se eu continuar me baseando na lógica mecanicista disso tudo
O meu destino é certo
O desastre previsto
"Moça morre baleada por seus sonhos frustrados" (de novo)
Se me basear na lógica 
na sucessão de fatos, no ambiente que me cerca, no passado surrado
Já sei como eu vou terminar
Já sei o lugar no qual vou chegar
Assim como sabia como chegaria neste ponto de ônibus
E esse meu ônibus não chega
Eu espero e estou bem cansada de esperar
Mas decido
Não quero mais mecanizar 
Não quero ser uma prova concreta do determinismo
Não quero ser vítima das fatalidades, mera consequência
Quero criar meus próprios caminhos
Nada pode me fixar
O ônibus chegou
Essa espera toda não foi tão ruim...
Nesse momento em que não pude fazer nada
Eu, enfim, pude fazer tudo.

- Tiemi Yamasaki