Desmistificando o budismo

Hi, my lovely readers!!!
Para quem não sabe, sou budista :O pois é, isso data de Junho do ano passado. Desde então, tive vontade de escrever um pouco mais acerca dessa religião, sobre a qual a maioria das pessoas tem uma ideia equivocada (eu também tinha). 




Pra começar, é importante saber que não existe apenas um budismo, mas várias vertentes. 
A minha se chama budismo de Nichiren Daishonin. Quando pensamos em budismo, logo vem à mente, a imagem do buda gordinho, meditações, monges carecas, privação de bens materiais etc. 
Mas ops, essas características não se aplicam ao budismo no qual acredito. Nós não adoramos estátuas, não nos privamos de bens materiais, não meditamos nas montanhas e nem usamos roupas de monges budistas (não que isso não seja algo legal, mas é de outra vertente). 
O budismo de Nichiren Daishonin considera o contexto no qual vivemos, diferente de várias religiões que parecem não compreender que a sociedade muda. Para nós, não existe apenas um único buda, afinal, todos somos budas. O que significa ser buda? Ser buda é atingir o estado de buda, um estado de vida que corresponde à "felicidade absoluta"... "Nossa Tiemi, tá doida.. que negócio é esse de felicidade absoluta? isso é impossível". Calma gente kkk, felicidade absoluta é encontrar a felicidade dentro de você mesmo, é entender que se as coisas estiverem em paz na sua mente, não importa o que acontecer.. você estará feliz (é uma questão de lógica). As felicidades externas são ótimas, mas a interna é melhor ainda e não depende de ninguém além de você mesmo. Ser buda é não desistir mesmo em meio às dificuldades, é ser uma pessoa melhor para o mundo, é ter respeito pelo outro, é querer que todos sejam felizes também. Sendo assim, consideramos que todos são budas, todos tem dentro de si esse estado (até aqueles que não são budistas); porém, alguns conseguem despertar esse estado e outros ainda não sabem que podem conseguir. Como eu atinjo isso? No budismo de Nichiren, nós recitamos uma frase que deriva do sânscrito: Nam-myoho,renge-kyo. Minha nossa o que significa isso?? Basicamente: "Devotar-se ao Sutra de Lótus, ou Devotar-se à Lei Mística da Causa e Efeito". Recitar essa frase é fazer daimoku (daimoku significa "título", afinal essa frase é o título do sutra de lótus, o qual consiste em uma escritura; no budismo de Nichiren Daishonin recitamos alguns capítulos desse sutra... numa oração que é chamada de Gongyo). Então... recitando essa frase, nós conseguimos ativar o estado de Buda! Como assim??? É uma frase mágica? Não. Recitar essa frase permite que você se sintonize com o universo, com a lei mística (místico não no sentido de milagroso e fantasioso, mas no sentido de que é inexplicável a partir da compreensão humana. A lei mística é uma força que rege todo o universo - para MIM, também significa o que eu sempre entendi por "Deus"). A frase faz você olhar para si mesmo e enxergar a vida com energia e sabedoria, acalma... é tem até um estudo da Física referente à frequência em hertz desse 'mantra'. Antes de me tornar budista, eu ficava me perguntando se fazer o daimoku" causava efeitos".. Só descobri depois que pratiquei (e realmente deu certo). 
Para nós, o "paraíso" e o "inferno" não estão em lugares, mas em nossas mentes. Tudo o que fazemos causa um efeito (bom ou ruim). Mas sabe o que achei mais legal nesse budismo? Ele nos valoriza enquanto humanos. Apenas depois de conhecer essa religião/filosofia.. que eu me dei conta que sou a única responsável pela minha vida. Eu posso transformar as coisas ruins e as boas. Não é preciso um milagre ou outra pessoa para me salvar, tudo o que preciso já está dentro de mim. Estando de bem comigo, eu consigo ajudar as pessoas ao meu redor! No budismo, não há igrejas (obviamente kkk nem templos), mas há uma organização, chamada SGI ( Soka Gakkai Internacional - Sociedade de Criação de Valores) e nossa... é bem legal, pois ela promove várias atividades, estudos etc. Temos bandas (masculina e feminina), alfabetização, grupo de bastidores, grupo de dança, grupo de tradutores/editores. canto... As reuniões são maravilhosas (acontecem na casa de membros, nas sedes regionais entre outros locais)! Não falamos apenas sobre budismo, as reuniões tem temas variados e ligados ao nosso contexto sócio-histórico. Por exemplo... já falamos sobre drogas, sobre as formas de amor (na qual discutimos o preconceito em relação ao amor entre pessoas do mesmo sexo - aah aliás.. consideramos válidas todas as formas de amar -- Love wins!), família, entre outros. Tudo é muito bem organizado (todos os membros colaboram).  Estudamos bastante, refletimos, usamos o pensamento crítico para dialogar sobre nossos próprias práticas e escrituras. As reuniões, além disso, são bem divertidas e envolvem muitas coisas legais (eu até mesmo já fui apresentadora de uma reunião). Nós temos provas! Siim, fazer prova estimula os budistas a pensarem e estudarem (não é algo obrigatório)! Afinal de contas, você precisa conhecer a fundo o que segue, não é mesmo? 

Nós respeitamos todas as religiões e não temos a ideia de que a nossa é a única "verdadeira", a diversidade é sempre bem vinda. Há visitas entre membros.. não nos encontramos apenas nas reuniões. As pessoas realmente se importam umas com as outras, na  "família Soka". Às vezes, o desânimo vem.. mas não prosseguimos desanimados, porque logo recebemos visitas de outros membros. Nossa, em um grupo da DFJ (Divisão Feminina de Jovens) já tivemos até um clube do livro!!! Eu me desenvolvi bastante durante esse tempo sendo budista e pretendo me desenvolver ainda mais! Já participei de tantas coisas boas (até de gincanas!), conheci um monte de gente bacana, ouvi tantos relatos de experiências! O presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda é um grande exemplo de pessoa! Todo ano ele escreve uma proposta de paz para a ONU e nos orienta bastante (através de livros, mensagens, jornal etc). Há muito o que falar sobre o budismo, mas o texto já está bem grandinho!! Por ora, gostaria de compartilhar a minha experiência com vocês: desde que me tornei budista, vejo todo problema como uma chance de me tornar ainda mais feliz. Acredito em mim, acredito que tenho valor e acredito no valor de cada ser humano. Toda vez que faço uma oração (recitação de capítulos do sutra de lótus - não pedimos as coisas, mas determinamos objetivos) ou depois de alguma reunião me sinto como o Mario (o do game) quando pega uma estrelinha (sinto que posso passar por qualquer obstáculo). 



Passei por várias religiões, fui batizada católica.. aprendi o que era bíblia com os testemunhas de Jeová, fui à congregação cristã, participei de grupos de cristãos protestantes, estudei Wicca, conheço amigos espíritas, umbandistas etc... mas foi no budismo que me encontrei! Não me sinto bem tentando converter ninguém, porque acho que é falta de respeito, acredito que todos são livres para escolherem a religião (ou nenhuma) que quiserem. Mas gosto de falar do budismo, porque fez bem pra mim e acho justo compartilhar algo assim. Não acho o fanatismo legal em nenhuma religião ou acerca de nenhuma ideia; mas é importante dialogar sobre as coisas nas quais acreditamos. 
Se quiserem, depois eu escrevo mais textos sobre isso!

O dia em que me tornei oficialmente budista *-* Minha mãe e minha irmã participaram (elas não são budistas)

Aqui estão alguns links para quem quer conhecer mais sobre o budismo de Nichiren
- BS Portal - site do jornal
- BSGI

2 comentários:

  1. Olha só! Muito do que esta vertente do Budismo prega é o que eu acredito também!!! Minha filosofia de vida é bem próxima da sua! Foi bom conhecer um pouco sobre o que me era desconhecido! =D

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    1. Sério? Que legaal, Anaa! Já havia notado que nossa filosofia era parecida kkkkk Talvez seja por isso que nos damos tão bem <3 Que bom que gostou de aprender um pouquinho mais! ^-^

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